Enaex 2020 mostra caminhos para redução de custos do comércio exterior brasileiro

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O presidente da CNC, José Roberto Tadros, participou da abertura, que contou também com o presidente Jair Bolsonaro
O presidente da CNC, José Roberto Tadros, participou da abertura, que contou também com o presidente Jair Bolsonaro

Os caminhos necessários para ampliar a inserção do Brasil no mercado internacional foram destacados na abertura da 39ª edição do Enaex — Encontro Nacional de Comércio Exterior, realizada na quinta-feira (12) de forma virtual, numa adaptação do tradicional evento ao cenário atual. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), patrocinadora do evento, promovido pela Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), dispôs de um estande virtual com todas as informações sobre as ações desenvolvidas pelo setor terciário neste período de pandemia, pela entidade associada Federação Nacional dos Despachantes Aduaneiros (Feaduaneiros), além das atividades dos seus braços sociais Sesc e Senac.

O presidente da CNC, José Roberto Tadros, participou da abertura, enfatizando que o tema do evento, “Mais infraestrutura, menos custos e mais mercados externos”, traduz exatamente o que o setor produtivo espera para o País. “O Brasil, com o tamanho e a pujança industrial e agrícola que tem e com o grande mercado de 214 milhões de habitantes, precisa incrementar de forma mais eficiente o comercio exterior”, defendeu. 

Tadros lembrou que a CNC participou da criação da AEB, em 1970, e desde então colabora ativamente com as atividades e os projetos da entidade, somando esforços no apoio aos programas de comércio exterior por meio de sua assessoria técnica. “Naquela época, estávamos muito à frente de vários países no mercador exterior, como China e a Coreia. E fomos perdendo mercado paulatinamente, devido a regulamentações e entraves que transformaram o nosso custo Brasil impossível de competir internacionalmente”, esclareceu. 

O presidente da CNC lembrou que o País, que já teve uma participação de 2,5% a 3% no mercado mundial, e hoje tem pouco mais de 1%, sendo basicamente de commodities, pois a participação dos manufaturados vem decaindo. “Já a categoria de semimanufaturados, que também inclui commodities (como celulose e açúcar), manteve a fatia estável em 12,7%. Para mudar isso, precisamos, basicamente, ser competitivos. E tão importante quanto a nossa competitividade, em preços e qualidade, é dar previsibilidade e cumprirmos prazos de entrega em nossas transações comerciais”, concluiu.

Exportações

O presidente da AEB, José Augusto de Castro, afirmou, no encontro, que, graças ao agronegócio, a redução das exportações brasileiras no atual cenário de comércio exterior será de apenas 5%, já computados os resultados negativos da pandemia e da forte redução das exportações brasileiras de manufaturados, vista com grande preocupação.

“Em 2000, os manufaturados representavam 59% do total das exportações, mas, atualmente, são apenas 24%, tendo perdido mercado principalmente nos EUA e na Europa, devido à elevação dos nossos custos", destacou Castro.

Segundo ele, a queda decorre da contínua elevação do custo Brasil, que retirou competitividade dos produtos manufaturados brasileiros. "A solução depende da aprovação das reformas estruturais, investir e criar condições para investimentos em infraestrutura e reduzir a burocracia", avaliou. Após a aprovação das reformas trabalhista e previdenciária, Castro acredita que a aprovação das reformas tributária e administrativa poderá ser fato promissor para o comércio exterior brasileiro. 

Ambiente de negócios

A abertura contou com o pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro, que citou o empenho do governo em melhorar o ambiente de negócios e de investimentos para ampliar a participação do País no comércio internacional, trabalhando, por exemplo, para dar acesso ao Brasil no acordo sobre compras governamentais, no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC), e buscando realizar negociações com novos parceiros. 

Afirmou ainda que o desenvolvimento sustentável da Amazônia para a integração competitiva da economia brasileira é fundamental para ampliar o acesso a mercados internacionais. "Os 20 milhões de pessoas que lá vivem devem ser integrados nas cadeias de produção e de comércio exterior do País", enfatizou o presidente.

Bolsonaro citou ainda o modelo de privatizações e concessões do Brasil como uma alavanca que tem promovido uma "abertura comercial sem precedentes", com o fechamento de acordos de livre comércio, no âmbito do Mercosul, com a Associação Europeia de Livre Comércio. "Estamos também em negociação com outros parceiros, como Coreia do Sul, Singapura e Canadá", informou o presidente da República.

Foram 10 painéis com representantes dos setores público e privado analisando as ações para elevar a competitividade dos produtos nacionais diante dos concorrentes estrangeiros, na tarefa de ampliar acesso do Brasil aos mercados globais de consumidores sob os impactos da covid-19.