Pesquisa sobre transição do jovem da escola para o trabalho é apresentada com apoio da CNC

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Tadros destacou que sistema terciário representa 65% do PIB
Tadros destacou que sistema terciário representa 65% do PIB
Crédito
Reprodução

26/06/2020

A experiência de trabalho, incluindo o estágio, reduz o tempo em que o jovem passa não ocupado e também o risco de ficar desempregado. Jovens com curso técnico fazem uma transição mais fácil para o mercado de trabalho e passam menos tempo na informalidade do que os que concluíram o ensino médio regular. Essas foram algumas da conclusões da pesquisa Transição da Escola para o Trabalho, realizada pela consultoria IDados, que ouviu 3,5 mil jovens e foi apresentada na quinta-feira (25), durante webinar que contou com apoio da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). 

Na abertura, o presidente da CNC, José Roberto Tadros, falou sobre a pesquisa como subsídio para ações futuras, elogiou a iniciativa do deputado federal Gastão Vieira (Pros-MA) de idealizar o seminário e apresentou um panorama da importância do setor terciário na questão da empregabilidade no País.

“O sistema ligado a nós representa 65% do PIB. E sabemos que no Brasil há um déficit, em relação ao primeiro mundo, de mão de obra qualificada e escolaridade. Com essa crise advinda do coronavírus, estamos passando a primeira grande crise da sociedade de consumo e precisamos rapidamente tentar reverter esse processo, que está atingindo fundamente os jovens”, enfatizou o presidente.

Tadros destacou que 12,5% da força efetiva de trabalho está desempregada e, no que diz respeito à produção do jovem no mercado, o percentual de desemprego sobe para 27%. “E aí entra o Sistema S, que está fora da instrução formal que o Estado tem como dever, oferecendo cursos profissionalizantes e faculdade de tecnologia, visando à rápida inserção no mercado de trabalho”, concluiu.

Em suas considerações, o presidente da IDados, Paulo Rocha e Oliveira, chamou a atenção para dois pontos destacados pela pesquisa. Primeiro, há uma rota de sucesso, mesmo restrita, associada a um primeiro emprego formal e de preferência duradouro. Segundo, a oferta de trabalho existente para a maioria da população valoriza as competências tipicamente associadas ao ensino médio técnico.

“O estudo reforça a necessidade de aprimorar as políticas relacionadas ao primeiro emprego. O jovem que sai da escola, trabalha no setor formal e permanece por mais tempo nele tem maior condição de sucesso e, assim, oferece maior retorno ao investimento. Há nos dados apresentados indicações claras para aprimorar políticas de primeiro emprego. E isso parece mais crucial num momento de elevadíssimas taxas de desemprego”, disse Rocha.

O deputado Gastão Vieira disse que levaria à Câmara a análise de que o ensino médio técnico é importante e faz diferença. “Infelizmente, continuamos sem uma oferta adequada desse tipo de ensino gratuito no Brasil. E estamos completando quase dois anos e meio sem dar continuidade à discussão sobre a reforma do ensino médio”, ressaltou.

Qualificação profissional

O estudo indica como fator que contribui para os jovens empregados permanecerem no setor formal aqueles que tiveram uma formação mais próxima ao que se oferece nas escolas médias de ensino técnico profissional. A apresentação foi feita pelo pesquisador-líder da área de mercado de trabalho da consultoria IDados, Bruno Ottoni.

Na sequência, houve um debate sobre as implicações na formação de jovens e o mercado de trabalho, com representantes do Sesc e do Senac. Para a gerente de Educação do Sesc-DN, Cynthia Rodrigues, a educação vive hoje o grande desafio de formar jovens capazes de enfrentar um mundo com mudanças aceleradas, “cada vez mais imprevisível e volátil, e a pesquisa traz dados valiosos para que possamos entender o cenário atual, dando base para planejar as melhores ações para o futuro dos nossos jovens”. 

Já Rommulo Barreiro, da Gerência de Educação do Sesc-DN, o webinar foi um espaço importante para refletir sobre o momento. “Fomentando a discussão sobre os novos rumos do ensino médio, que deve desenvolver a autonomia do estudante, acompanhada do senso de responsabilidade, sobre as escolhas do seu futuro e inserção no mundo do trabalho.”

A gerente de Desenvolvimento Educacional do Senac-DN, Daniela Papelbaum, apontou evidências, com base nas pesquisas discutidas, de que o ensino médio integrado à Educação Profissional, além de preparar para uma inserção mais imediata no mercado de trabalho formal, pode elevar os indicadores de desempenho da educação regular e, inclusive, possibilitar o avanço de escolarização dos alunos.

“A Educação Profissional se faz buscando ao máximo experimentar o que se passa do lado de fora, no setor produtivo, e essa espinha dorsal de qualquer programação de Educação Profissional baseada na experiência prática cria um diferencial numa entrevista de trabalho”, afirmou, confirmando que os programas feitos no Senac estão alinhados com as demandas dos segmentos, por meio dos fóruns setoriais de escuta.

O reforço da constatação veio por parte da responsável pelo setor de Prospecção e Avaliação Educacional do Senac-DN, Inês Pereira, que exaltou o programa da aprendizagem na perspectiva do 1º emprego e manutenção dos estudos, uma vez que conjuga a formação educacional e a prática na empresa. 

“De acordo com as pesquisas com os alunos egressos, o programa é um vetor de estímulo à progressão educacional após sua conclusão, além de indicar que os jovens percebem maiores chances de conseguir um emprego, o que mostra que este público adquire confiança ao se enxergar com um diferencial competitivo para se inserir no mercado de trabalho."