Comerciante tem que repensar forma de negociar, alerta presidente da Fecomércio-MT

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Para José Wenceslau, é preciso ter sempre um olhar positivo. "É no pós-crise que aparecem as oportunidades."
Para José Wenceslau, é preciso ter sempre um olhar positivo. "É no pós-crise que aparecem as oportunidades."
Crédito
Carolina Barbosa

28/05/2020

O presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Mato Grosso (Fecomércio-MT), José Wenceslau de Souza Júnior, disse que o cuidadoso trabalho da entidade, em parceria com o Governo do Estado, a Prefeitura de Cuiabá e as autoridades sanitárias, permitiu que o Estado fosse um dos primeiros do Brasil a reabrir estabelecimentos comerciais, em 27 de abril. “Foi, mais do que um desafogo para o empresariado que já enfrentava muitas dificuldades, um aprendizado para os novos desafios pós-pandemia”, salientou.

 “Negociamos intensivamente e focados no objetivo de não estender por muito mais tempo o fechamento do comércio, decretado em 23 de março. E, até conseguirmos, a Federação se envolveu com iniciativas para continuar dando suporte aos empreendedores, muito angustiados com a paralisação dos negócios”, informou.

Segundo Wenceslau, os empresários foram orientados sobre procedimentos diante de um quadro que, até então, não haviam enfrentado. A Federação consolidou as orientações em uma cartilha, que basicamente indicava a adoção de medidas rígidas de prevenção contra o novo coronavírus, os cuidados com o estabelecimento, com os funcionários e com os clientes.

Corresponsabilidade

O dirigente revelou que a Federação assumiu com as autoridades uma condição de corresponsabilidade na fiscalização. Dentro desse espírito, equipes da área de Saúde do Sesc e do Senac foram às ruas para distribuir kits de higiene e proteção – máscaras, sabão líquido, álcool em gel, etc. –, visitando lojas da capital e das cidades-polo onde as duas entidades têm unidades no Estado. Foram mais de 20 mil kits entregues.

Nesta quinta-feira (28), o prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro, anunciou decreto liberando a reabertura de shopping centers, bares e restaurantes a partir da próxima semana. Segundo ele, os shoppings poderão abrir suas portas na quarta-feira (03/06), mas com horário restrito, das 14h às 22h, e não estarão autorizados a funcionar aos domingos. As praças de alimentação, porém, só poderão abrir no dia 8 de junho, no modelo self service. A mesma data valerá para os bares e restaurantes de rua, incluindo os que atuam dentro dos shoppings: podem retomar as atividades de terça a domingo, das 11h às 15h e das 18h30 às 23h.

“Os empresários desses segmentos estavam entrando em desespero”, revelou Wenceslau em live para o Instagram da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), no dia 27. A decisão do prefeito é resultado de longa negociação comandada pela Fecomércio, que assumiu, a exemplo das demais áreas do comércio, a posição de corresponsabilidade.

Demandas

A Fecomércio-MT juntou-se à Federação das Indústrias para encaminhar vários pedidos ao Governo do Estado, Prefeitura da capital e estatais de energia e água para reduzir os impactos causados à economia pela pandemia. Entre elas, José Wenceslau citou a suspensão do pagamento de ICMS por seis meses, do prazo de pagamento de ICMS sobre energia ao longo deste ano, do pagamento do IPVA por 180 dias para pessoas físicas e jurídicas e, pelo mesmo período, do pagamento de débitos empresariais já existentes.

“As demandas eram tão fundamentais, que a Assembleia Legislativa transformou em lei: por 90 dias, os empresários não podem ser punidos por atraso. Isso mostra que estamos cumprindo a nossa função de cuidar e defender o setor privado.”

Sesc/Senac

Na entrevista, presidente do Sistema Fecomércio falou com orgulho do trabalho realizado por Sesc e Senac para ajudar a população carente e manter a atividade de cursos usando o método home office. O Sistema não demitiu nenhum funcionário. Houve adaptações permitidas pela legislação trabalhista, com redução de salário e jornada. De acordo com o dirigente, “todos ficaram felizes porque os empregos foram preservados”.

Ele destacou a importância da realização de lives com cantores, que tiveram mais de 2 milhões de acessos e geração de 1 tonelada de alimentos para o programa Sesc Mesa Brasil. Com o volume arrecadado, cerca de 5.500 pessoas foram atendidas. “O Mesa Brasil é o maior banco de alimentos do mundo, e temos recebido muito apoio de empresas.”

Ele citou ainda o Restaurante do Comerciário, que normalmente atende entre 600 a 700 pessoas por dia, que pagam R$ 12 o quilo. Com a pandemia, teve que ser fechado, mas só a operação física. “Continuamos fornecendo marmitas por R$ 5. Hoje, vendemos quase 800 marmitas diariamente com comida padrão Sesc”, disse.

O Senac também se manteve ativo. Os funcionários tiveram férias coletivas de 15 dias logo após o início da pandemia. Mas voltaram para manter os cursos em andamento, de forma virtual. O importante, destacou, é otimizar o tempo.

Comércio do futuro

Wenceslau revelou que tem sido procurado pelos comerciantes para falar sobre as perspectivas do novo comércio pós-pandemia e as orientações a serem seguidas. “Acalmo o coração deles porque, agora, o foco é na retomada das atividades, de forma gradual, sem estressar com o que virá daqui a um ou dois meses. Mas temos, sim, que repensar nossa forma de negociar. O e-commerce é uma realidade, veio para ficar. Temos que, cada vez mais, aprender a lidar com as novas tecnologias.”

Para o dirigente, é preciso ter sempre um olhar positivo. É no pós-crise que aparecem as oportunidades, alerta. “O empresariado tem que se manter confiante, negociar equilibradamente com fornecedores, lutar por juros bancários justos e tomar iniciativas para manter os atuais e atrair novos clientes”. E, bem-humorado, lembrou no final da entrevista um ditado tradicional no comércio: “enquanto todo mundo chora, eu vendo lenço”.